segunda-feira, 10 de março de 2014

O movimento skinheads no Brasil


Apesar do barulho que faz, representa pouco em nossa sociedade.

O movimento skinheads (cabeças raspadas) é um movimento subcultural juvenil.
Os skinheads têm conotação musical e estética.

Surgiu no final dos anos 60 na Inglaterra, e, originalmente, o grupo era formado por brancos e negros, influenciados por outro grupo cultural denominado “rudes boys” oriundo da Jamaica.

Era essencialmente um movimento cultural.

Vale salientar que os skinheads, a princípio, não baseava sua ideologia na política e nem questões raciais, infelizmente, hoje se conhece o movimento skinheads como violentos.

No Brasil, o movimento chegou no início da década de 80, em São Paulo, sem nenhuma ligação com sua origem britânica.

A proposta original era um retorno às origens do movimento punk paulista, aliada a uma ideologia baseada na violência e no vandalismo, no patriotismo, no antirracismo, no antimilitarismo, contra os políticos e seus partidos, contra a polícia, contra a igreja.

Com o passar do tempo, foram se desvinculando dessa proposta original e adquiriram um caráter conservador, que levou a se posicionar e promover ações contra esquerdistas, diferentes tribos urbanas (em especial àquelas ligadas ao pensamento de esquerda), drogados, negros e homossexuais. Facções ligadas a neonazistas também agridem, em alguns casos, judeus, prostitutas e outras minorias. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Skinhead. Acesso: outubro de 2013.

Hoje, o movimento skinheads, é um eminentemente nacionalista com características homofóbicas, racista, neonazista, anticomunista etc.

Prevalece constantes e injustificados ataques às minorias e a nordestinos, principalmente na região metropolitana da capital paulista.

Segundo o site IG, em post do dia 26/09/2011, “estes jovens recebem orientação teórica. As bases são os seminários promovidos pelo Instituto Plínio Correia de Oliveira (criador da extinta TFP, que defendia a Tradição, a Família e a Propriedade) e o jornalista Olavo de Carvalho. Em um áudio publicado no blog da Resistência Nacionalista, Carvalho defende a pena de morte para comunistas, a começar pelo arquiteto Oscar Niemeyer. “Para o Niemeyer uma pena de morte só é pouco. Deveria ter umas três ou quatro”, diz Carvalho.” http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/skinheads-usam-briga-politica-como-pano-de-fundo-para-violencia/n1597225790382.html. Acesso: outubro de 2013.

Doutrinariamente, o movimento skinheads recebe forte influência da leitura de material antissemita, composto por escritores como William Patch, Thomas Haden, Miguel Serrano e Olavo de Carvalho. Especificamente, quanto aos autores brasileiros, alguns jovens assistem a seminários promovidos pelo Instituto Plínio Correia de Oliveira (criador da TFP - Tradição, Família e Propriedade) e gostam dos escritos do jornalista Olavo de Carvalho.

O perfil do neonazista:

A pesquisa da antropóloga Adriana Dias(1), identificou o perfil do neonazista dos skinheads brasileiro. Confira:

- Desses 300 grupos, 90% se concentram em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina;

-São brancos, homens, jovens, a maioria com ensino superior (completo e incompleto);

- Para se inserir nas células, é necessário ritual de iniciação. Geralmente, espancar gratuitamente um negro ou judeu na rua, e que pode levar à morte;

- Depois de aceito, o nazista recebe senha para acessar manual, que lhe dirá, entre outras coisas, como reconhecer um útero branco – a mulher perfeita para procriação de um neonazista;

- Todos eles enfrentam dificuldades de socialização;

 - Muitos apresentam frustrações sexuais: o próprio Emerson Rodrigues afirmou em seus vários sites e perfis, que sua ex-namorada havia o deixado por um “negão”(sic);

- Muito se sentem ressentidos por supostamente terem perdido poder, com a entrada do PT, associado à esquerda, no governo – esse aspecto está ligado, sobretudo, ao preconceito contra nordestinos e à ascensão de uma nova classe média;

- São fundamentalistas religiosos – o que pode ajudar a confundir liberdade religiosa com crimes de ódio.

Ainda para enriquecer o presente texto, trago uma reportagem do site IG: EXTREMA DIREITA UNIVERSITÁRIA SE ALIA A SKINHEADS. Nara Alves e Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 26/09/2011 07:00:12:

“Eles não são fortões, não lutam artes marciais, não usam tatuagens com suásticas e preferem os livros e computadores às facas e socos ingleses. Em vez de estações de metrô e shows de punk rock, seu habitat natural são as quitinetes apertadas do Crusp ou os vastos gramados da USP (Universidade de São Paulo). Eles são os neoconservadores, jovens universitários que defendem valores como o direito à propriedade e a fidelidade matrimonial.

À primeira vista, parecem mais universitários comuns, magricelas, com suas calças largas, camisetas amarrotadas e a barba por fazer. Mas apesar de estarem longe do estereotipo do jovem arruaceiro, cerraram fileiras ao lado de skinheads musculosos nas marchas em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e na anti-Marcha da Maconha.

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”, apregoa Celso Zenaro, 22 anos, estudante de Geografia da USP. “O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”, completou.

Folheto faz propaganda da UCC na USP Zenaro é um dos quatro integrantes do núcleo duro da União Conservadora Cristã (UCC), organização criada em julho do ano passado nos corredores da USP com os objetivos declarados de defender valores como o casamento, a fidelidade conjugal, direito à propriedade e combater o predomínio do pensamento marxista no meio acadêmico e político.

Pouco mais de um ano depois da criação, a UCC conta com 16 membros, 14 da USP e dois da Unicamp. Parece pouco mas nas eleições para o diretório central da USP, os neoconservadores ficaram em 5º lugar entre as dez chapas concorrentes.

“Na época da campanha fomos procurados pela juventude do PSDB mas não dá para fazer aliança aqui dentro”, disse Zenaro. Em mais de duas horas de conversa, entre um cigarro e outro, o estudante citou pelo menos 15 autores conservadores, muitos deles nunca traduzidos para o português. Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão nacional do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade). Sobre a ditadura militar, Zenaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Embora tenha resistido à abordagem da juventude tucana, a UCC votou em massa em José Serra nas eleições presidenciais do ano passado, mas com ressalvas.

“Serra é um sujeito que, embora tenha se aliado a setores conservadores e renegado uma postura mais virulenta de esquerda, não abandonou totalmente estes ideais”, justificou.
Os integrantes da UCC dizem ser contra qualquer tipo de violência mas não escondem a admiração pelos skinheads, aliados de ocasião. “Essa postura de combate me inspira muito. 

Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”, disse Zenaro que, no entanto, faz questão de demarcar o território. “Eles se dizem de extrema-direita mas o líder deles é vegetariano”.

A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. “Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra.

Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas”, disse Zenaro.

Apesar da aproximação com grupos que, no limite, praticam a intolerância contra minorias, o líder da UCC esclarece que o movimento não tem ligações como nazismo. “Não somos neonazistas. Ao contrário. Defendemos o estado de Israel”.

Após a publicação desta reportagem, Zenaro e Olavo de Carvalho escreveram carta em resposta ao Último Segundo.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/extrema-direita-universitaria-se-alia-a-skinheads/n1597226175495.html. Acesso: outubro de 2013.

Bem, os skinheads, de início foi um movimento cultural essencialmente pré punk, – o movimento punk surgiu na Inglaterra em 1970 - como tantos outros, entretanto, em algum momento ocorreu um desvio em sua postura cultural contestadora. Deixou de ser um movimento cultural juvenil e passou a ser um movimento de conotação ideológica explicitamente da direita conservadora, racista, facista, xenófoba, neonazista com forte influência de doutrinadores alienínegas e brasileiros que pregam o sectarismo, ou seja, aqueles que defendem, obstinadamente, um ponto de vista extremado ou posições políticas, religiosas ou teóricas intransigentes e polarizadas, sem respeitar as diversidades culturais, religiosas, regionais etc.

1. Adriana Dias, é antropóloga e pesquisadora da Unicamp, membro da Associação Brasileira de Antropologia e Doutoranda em Antropologia Social pela UNICAMP, trabalha há 11 anos mapeando grupos neonazistas que atuam na internet e também no mundo não virtual. Devido ao conhecimento construído, a pesquisadora já prestou consultoria para a Polícia Federal e para serviços de inteligência de Portugal, Espanha e outros países. Ministra palestras a respeito do mapeamento do crescimento do neonazismo, desde 2005.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares