terça-feira, 25 de novembro de 2014

Qual a relação do caso Banestado com o atual escândalo da Petrobras?



Seria até ingenuidade da minha parte e tolice também acreditar que o PT não enfiou os pés pelas mãos e nem caiu no grande esquema de corrupção que assola a política brasileira. Vagando pela história recente político-policial brasileira me vi diante de um outro grande escândalo que fez desaparecer bilhões de dólares dos cofres públicos brasileiros: O CASO BANESTADO.
 
O caso Banestado
 
Foi aberta em junho, acredito que foi no de 1996, com base em investigação da Polícia Federal, a Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para apurar as responsabilidades sobre evasão de divisas do Brasil - o montante soma superior a US$ 30 bilhões, movimentados entre 1996 e 1997. O principal destino do dinheiro desviado era a agência do Banestado (Banco do Estado do Paraná), em Nova York/EUA e para paraísos fiscais.

Como funcionava o esquema
 
Segundo a Polícia Federal, um grupo de doleiros, dentre eles estava Alberto Youssef operava diversas contas no Banestado em Nova York, de onde movimentava dinheiro para outros bancos nos Estados Unida da América. Dos EUA, o dinheiro era enviado a paraísos fiscais pelo Mundo afora. Além de suspeita de lavagem dinheiro e ligações com o tráfico, o relatório da PF apontou o envolvimento de políticos e familiares de políticos no esquema.

Como se deu início o famoso caso
Uma equipe da Polícia Federal foi enviada no ano de 2001 para Nova York com o intuito de investigar remessas de cerca de US$ 30 bilhões para contas do Banestado no exterior, feitas por meio das contas CC-5 - contas que servem para que empresas multinacionais ou brasileiras com interesses no exterior transfiram dinheiro para fora do país, também utilizadas para o envio de dinheiro a brasileiros que moram no exterior.

Quem estava envolvido
Segundo a revista Época (27/06/2003 - Edição nº 266) políticos como José Serra (PSDB) e Jorge Bornhausen (PFL) constam de relatórios da Polícia Federal que mostram a existência de ordens de pagamento e registros de movimentações financeiras do esquema de lavagem de US$ 30 bilhões por meio da agência bancárias do Banestado de Foz do Iguaçu (PR).

Um dos principais documentos é o dossiê AIJ 000/03, de 11 de abril de 2003, assinado pelo perito criminal da Polícia Federal Renato Rodrigues Barbosa – que chegou ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (já falecido), com um carimbo de “confidencial”. O perito e o delegado José Francisco Castilho Neto identificaram pessoas físicas e jurídicas que estariam usando o esquema de remessa de dinheiro do Brasil para o exterior.

O dossiê AIJ000/03 traz a indicação de José Serra (PSDB), o mesmo nome do ex-ministro da Saúde e ex-presidenciável tucano. O AIJ004 aponta apenas S. Motta, que os policiais suspeitam ser o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta (já falecido). O dossiê AIJ001 mostra transações financeiras do senador Jorge Konder Bornhausen, presidente nacional do PFL, e do seu irmão Paulo Konder Bornhausen. Já o dossiê AIJ002 aponta o nome do empreiteiro Wigberto Tartuce, ex-deputado federal por Brasília.

Por sinal, Sérgio Motta, também estava envolvido em outro grande escândalo nacional: a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Gravações obtidas pelo jornal Folha de São Paulo, envolveram o ministro no referido escândalo de compra de votos para a aprovação da Emenda Constitucional 16/97, beneficiando assim o então presidente Fernando Henrique Cardoso, (PSDB).

Nas gravações, o deputado João Maia (PFL). dizia que recebeu R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permitiu a reeleição de FHC. O deputado revela ainda que a barganha pelo voto previa receber R$ 200 mil do governo federal e outros R$ 200 mil do governo do Estado do Acre. O dinheiro usado na operação, segundo Maia, foi providenciado pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), e pelo ministro Sérgio Motta.

Em conversa gravada, o deputado Ronivon Santiago disse que depois da aprovação da emenda da reeleição, recebeu uma retransmissora de TV do ministro Sérgio Motta. Segundo Ronivon, a TV não pôde ficar em seu nome. Registrou-a em nome de um "amigo".

No caso de José Serra (PSDB), há extratos fornecidos pelo banco americano JP Morgan Chase. O nome do ex-ministro, que segundo relatório da polícia pode ser um homônimo, surge em uma ordem de pagamento internacional de US$ 15.688. O dinheiro teria saído de uma conta denominada “Tucano” (mera coincidência) e sido transferido para a conta 1050140210, da empresa Rabagi Limited, no Helm Bank de Miami, nos EUA. Serra é apontado como o remetente dos recursos. Isto seria uma indicação de que ele teria poderes para movimentar diretamente a conta Tucano. Entre 1996 e 2000, essa conta recebeu US$ 176,8 milhões, segundo a PF.

Voltando ao caso Banestado
O relatório da PF apontou também o envolvimento de políticos no esquema, além de grandes empresários e personalidades - artistas e jogadores de futebol. Entre eles, estaria o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que nega participação no esquema.

Outro envolvido segundo consta no site do Ministério Público Federal é o delegado da Polícia Federal, Paulo Cauby Batista, foi preso no dia 17 de junho no Ceará, acusado de passar informações sigilosas ap doleiro Alexandre Diógenes Ferreira Gomes, o "Alex", investigado no caso Banestado.

É bom esclarecer que o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que tomou o depoimento do gerente à época, manteve o inquérito em sua gaveta por quatro anos e meio.

Quem é Paulo Cauby Batista?
O delegado da Polícia Federal, Paulo Cauby Batista Lima[1], 41, foi apontado como um dos cabeças do mega-esquema de lavagem de dinheiro no Ceará, foi condenado pelo juízo da 11ª Vara da Justiça Federal. Cauby foi considerado culpado por colaborar com a organização criminosa encabeçada pelo doleiro Alexander Diógenes Ferreira Gomes, o “Alex”, com vazamento de informações privilegiadas sobre atuação da Polícia Federal nas investigações contra crimes praticados pelo doleiro e por suas empresas ACC Card e Grupo ACC.

Já Alex Ferreira Gomes havia sido condenado em fevereiro do ano passado por remessa ilegal de dinheiro para o exterior (lavagem de dinheiro) e crime contra o sistema financeiro, a 12 anos de prisão. O doleiro tem prisão preventiva decretada e é considerado foragido.

As informações, segundo os autos do processo de número 2003.81.00.0182-4, eram repassadas por meio de mensagens eletrônicas (e-mails). Em 2004, o delegado federal já havia sido condenado a nove anos de prisão por crimes de contrabando, receptação, peculato e consumo de drogas. O juízo da 11ª Vara também decretou também a perda da função de delegado e da função pública do réu.

Em 26 de fevereiro de 2002, o então delegado federal Paulo Cauby exercia a função de chefe da Delegacia de Polícia Marítima, Aeroportuária, e de Fronteiras (Delemaf). No dia 7 de junho daquele ano, acabou preso após a PF ter descoberto nos Correios, por meio da remessa de um computador do empresário Alex Ferreira Gomes para a Nova Zelândia, e-mails vindo do endereço eletrônico irmaodobaixinho@ig.com.br. O endereço, conforme a PF, pertencia à mulher do delegado e tinha, por meio de mensagem cifrada, informações sigilosa sobre as investigações da PF contra as empresas do doleiro.

No dia seguinte à prisão, a PF encontrou armas de fogo sem registro, além de 17,5 gramas de maconha e entorpecentes na casa. Também foram apreendidos computadores, documentos, agenda e celular. Na agenda, foram encontrados telefones que, depois de periciados, ligaram o delegado a Alex Ferreira Gomes. Havia mensagens referenciadas a “Baixinho”, “Baix”, “Sil” e “Sill”. Baixinho seria o apelido de Alex Ferreira Gomes, que é portador de deficiência física. “Sil” seria Sylvana Maria Medeiros, que era secretária do sócio majoritário do Grupo ACC.

PARA ENTENDER O CASO
26/2/2002 - Alex Ferreira Gomes é preso pela Polícia Federal, acusado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, formação de quadrilha e crime organizado. 

28/2/2002 – Decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), em Recife, concede liberdade a Alex Ferreira Gomes. A PF informa à imprensa que outras quatro pessoas também teriam a prisão preventiva decretada. Entre eles, Vilfran Teixeira Torquato, tesoureiro e apontado como braço direito de Alex, nos crimes.

23/8/2002 – Decisão da 11ª Vara de Justiça Federal determina a indisponibilidade dos bens do empresário Alex Ferreira Gomes e de mais quatro pessoas que tiveram a prisão decretada, inclusive Vilfran Teixeira Torquato. 

16/9/2002 – Alex Ferreira Gomes é seqüestrado quando saia de casa para o trabalho. Um segurança foi morto e outro baleado. O empresário foi libertado 39 dias depois do seqüestro, diante do pagamento de resgate no valor de R$ 600 mil, segundo a Polícia. 

29/11/2002 – Ministério Público entrega na Justiça Federal denúncia contra Alex Ferreira Gomes, um sócio e cinco empregados, por terem aberto em 1997 duas contas bancárias em nome de um “laranja” e por fazerem movimentações financeiras irregulares. Esta já era a quarta denúncia contra o doleiro.

7/6/2003 - O delegado federal Paulo Cauby é preso sob acusação de repassar informações sigilosas a Alex Ferreira Gomes. A prisão temporária posteriormente foi transformada em preventiva, tinha a função de afastá-lo para não comprometer as investigações contra as empresas de Alex Ferreira Gomes. 

25/6/2003 - Paulo Cauby é liberado. Segundo o então superintendente da PF no Ceará, Bergson Toledo, a Justiça havia concluído que não havia mais necessidade da preventiva porque “as provas estariam preservadas”.

Por fim
Todo o Brasil sabe, afinal, que a corrupção institucionalizada esteve presente na história do Brasil, nos períodos democráticos e, principalmente, nos períodos ditatoriais. O grande desafio presente é imenso e depende das instituições cumprirem fielmente o seu dever e mandar para cadeia todos aqueles quem, de uma forma ou de outra, dilapidaram o Erário.

Então, temos alguns questionamentos a fazer:

Primeiro, será que existe alguma relação entre o caso Banestado e o atual escândalo da Petrobras? Até porque o doleiro Alberto Youssef servia como interlocutor de vários envolvidos na lavagem de dinheiro e no desvio de recurso públicos, nos dois casos;

Segundo, porque Alberto Youssef[2], mesmo condenado, no caso Nanestado, e tendo uma reputação muito suja tinha trânsito livre em todos os governos, tanto do PSDB como do PT?

Será que Alberto Youssef não é apenas um mero despachante de saída de dinheiro do Brasil para paraísos fiscais e até mesmo para os Estados Unidos? Para beneficiar corrupto e corruptores?

Por que Fernando Henrique Cardoso é um dos mais relutantes na instalação da CPI da Petrobrás?

Por que Aécio Neves sumiu das mídias e do Senado?


[2] A Justiça Federal no Paraná condenou hoje, doleiro Alberto Youssef a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa em um dos processos do Caso Banestado. http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/09/alberto-youssef-e-condenado-em-um-dos-processos-do-caso-banestado

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