sábado, 8 de março de 2014

A Comunicação

Desde o princípio a humanidade teve a necessidade de se comunicar. De início grunhidos guturais para comunicação interpessoal e intergrupal para depois se concretizar nas pinturas rupestres. As primeiras expressões da comunicação devem ter sido bem concretas e, principalmente, visuais. Punhos fechados (briga/imposição), elevar o braço (chamar atenção), mostrar os dentes (ira/raiva) etc.
No aspecto sonoro, ocorreu a evolução dos grunhidos biológico-emocional para a emissão dos primeiros vocábulos abstratos, símbolos de objeto e fenômenos do meio ambiente como chuva, relâmpagos, trovões, comida, caça, água etc. Pois bem. A palavra comunicação vem do latim comunis, que significa comum comunicar, portanto, é tornar-se comum com alguém.
A comunicação ocorre quando um indivíduo fornece algo concreto ou abstrato a outrem, diminuindo a diferença entre os dois. Entretanto, existe um aspecto básico da comunicação e que continua inalterado e o será sempre: só há comunicação quando há compartilhação de algo, ou seja, há algo (uma mensagem) a ser transmitido a outrem.
Tal mensagem pode ser concreta ou abstrata. A mensagem concreta pode ser caracterizada como quando compartilhamos algo, por exemplo: um presente (que pode significar afeto, gratidão, amizade). Para a mensagem abstrata temos o olhar (que pode ser de afeto, de raiva, de dúvida, de tristeza). Temos também como mensagens abstratas os sinais franzir a testa (preocupação/reprovação), polegar para cima (aprovação/positivo) ou polegar para baixo (reprovação/negativo) etc.
Pode-se afirmar com toda certeza que a mais importante e mais primitiva forma de se comunicar é a oral (abstrata) e que prevalece em todas as sociedades.
A comunicação pode ocorrer em diversos níveis:
I – Comunicação oral;
II – Comunicação escrita;
III – Comunicação através de símbolos;
IV – Comunicação símbolo/visual;
V – Comunicação símbolo olfativo;
VI – Comunicação símbolo/tátil;
VII – Comunicação interna/psicológica.
Seja em qualquer nível a comunicação exige pelo menos três elementos essenciais para que possa ocorrer:
I – Fonte/emissor;
II – Meio/canal;
III – Receptor.
A seguir vamos falar de cada elemento essencial para uma efetiva comunicação.
A fonte ou emissor pode ser qualquer meio, uma pessoa com sua oralidade; escrita (carta, livro, e-mail); simbólica (placas informativas); olfativa (cheiro de perfume, flores, comida); tátil (braille); visual (placas, vídeos, dança). O emissor é aquele que tem uma informação, sentimento ou emoção que deseja transmitir. Como vimos, para uma boa comunicação existe a necessidade de um código ou um sistema de sinais que através deles – sinais/códigos – que a mensagem será transmitida ao receptor que, por sua vez, a decodifica para apreender e compreender o significado da mensagem recebida.
O meio ou canal poder ser os mais variados. Pode ser físico, como fios de cobre, fibra ótica, o papel, um livro, um jornal, uma revista, placas de trânsito etc. Existe também a possibilidade do meio ou canal não ser físico como as ondas de rádio, a imagem. Sobre a fonte receptora, indubitavelmente é o ser humano individualmente ou em grupo.
Na humanidade o ato de se comunicar se confunde com o ato de viver, pois é inadmissível um homem ou um determinado grupo social viver sem um meio de comunicação, mesmo sendo um bem rudimentar. Talvez, o ser humano seja o único animal que dependa exclusivamente de seus pais, por um longo período, para sobreviver, e essa dependência se concretiza pela comunicação que tem um papel fundamental. É uma dependência emocional, psicológica e essencial.
A comunicação é um processo e como tal é bastante dinâmico. Como um processo dinâmico que é, sempre está evoluindo e se renovando, sendo construído e reconstruído, sendo pensado e repensado, mas sempre terá como algo imutável a presença do emissor e do receptor.
A humanidade dá a comunicação diversos enfoques. Pode ser científica ou social. No aspecto científico temos a matemática, a física, a biologia, a eletrônica, a computação. No aspecto social ou como alguns gostam de determinar, nas ciência s humanas, a sociologia, o Direito, a historiografia, psicologia, antropologia.
Deixo de fora a filosofia porque não considero a filosofia como uma ciência.
Outro aspecto importante na comunicação e que sempre é deixado de fora quando se analisa o tema, é o que se chama de ruído. Ruído como sendo um conjunto de fatores (objetivos ou subjetivos) que interferem ou dificultam uma eficaz comunicação, ou seja, interfere na emissão ou na transmissão ou na recepção de uma mensagem.
Como exemplo clássico de ruído é a escrita, produção (industrialização) e leitura de um livro:
I - Primeiro temos que analisar a fonte primária do livro, o escritor. O escritor pode ter seu texto cheios de ruídos que por vários aspectos podem influenciar sobremaneira sua produção intelectual. Aspectos religiosos, científicos, psicológicos, étnicos etc;
II - A mensagem é o que o escritor pretende transmitir: um conto, uma tese, uma poesia, uma história etc;
III - O canal ou maio é óbvio que é o livro;
IV - E o receptor é evidente que é o leitor.
E o ruído? Bem, o ruído pode vir da fonte através de um texto mal escrito, influenciado por dogmas, por preconceitos etc. Pode vir, outrossim, de uma má impressão gráfica, de um mero erro de paginação. O ruído pode também derivar exclusivamente da fonte receptora, ou seja, da sua personalidade, seu ânimo, de seu cabedal de conhecimento, seu interesse pelo tema etc.
O ruído é algo que interfere profundamente na boa comunicação ou distorce a mensagem a ser transmitida. (Depois eu continuo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares