Defender este ou aquele sistema político econômico por convicção
religiosa acaba por, às vezes, levar a uma mistificação da realidade.
Todos nós sabemos que o liberalismo, em todas as suas vertentes, condiz com o tratamento desrespeitoso as classes menos favorecidas, e a dignidade da pessoa humana é sempre posta de lado.
Todos nós sabemos que o liberalismo, em todas as suas vertentes, condiz com o tratamento desrespeitoso as classes menos favorecidas, e a dignidade da pessoa humana é sempre posta de lado.
Também é notório que todas as tentativas de se estabelecer na prática o socialismo, foram frustrantes.
É fácil, apontar o que há de mau em Cuba, China ou criticar o Partido dos Trabalhadores por todas as mazelas que afligem o Brasil e o Mundo. É fácil...
Pois bem. Temos duas hipóteses econômicas que permeiam nossas relações com o Estado e com o mercado: o capitalismo liberal ou o socialismo. Esses dois sistemas econômicos vão permanecer se alternando por séculos, até que um sistema híbrido venha equilibrar as relações entre capital e trabalho, entre o ter e o ser, sob pena de um Estado bárbaro prevalecer.
Temos que compreender que a democracia necessita, sem meio-termo, de conflitos de ideias e divergências de opiniões. A democracia só tem vitalidade com respeito as regras postas pela sociedade e, principalmente, respeito aos divergentes e as minorias. Até porque a história é cíclica.
A obediência às regras democráticas deve prevalecer para regular os antagonismos de classes, substituindo as lutas físicas pela dialética, para dirimir ou mitigar os conflitos e manter a paz social.
A situação de exclusão social em que grande parte da população mundial se encontra hoje, deriva de um desenvolvimento econômico excludente, gerando conflitos. Os conflitos sociais empurram a sociedade a mudanças comportamentais, novos valores se firmam diante de novas realidades, um novo universo se forma.
É óbvio que a concentração de renda é o estopim maior pela onda de violência, descrédito e falta de perspectiva da humanidade em um futuro promissor.
É claro que, perdura hoje, através das eleições democráticas, um governo do PT, vencedor provisório das ideias que direcionam o País. É fato!
Dentro desse contexto, vislumbra-se que nosso País, assim como o atual Governo, estão inseridos em um sistema macroeconômico – Consenso de Washington – que condiciona todo o sistema econômico global, não admitindo variações exclusivas, há uma ideologia.
O Consenso de Washington como sendo um conjunto de medidas básicas (disciplina fiscal, redução dos gastos públicos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições, privatização das estatais, desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas), e, por fim, direito à propriedade intelectual), tal consenso foi formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras situadas em Washington USA, como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas num texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy, e que se tornou a política oficial do Fundo Monetário Internacional, quando passou a ser "receitado" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento (Brasil) que passavam por dificuldades.
Como é nítido, tal consenso foi produzido em uma nação hegemônica em que prevalece a lei do mais forte.
Como bem dito: “Quem mais acredita no sucesso do socialismo não são os socialistas, mas os capitalistas.” Se o socialismo está fadado ao insucesso então porque tanta preocupação? Ou, realmente, os capitalistas têm medo do contraponto socialista ou temem a uma segunda opção econômica, mais humanizada.
Enfim, qual oportunidade foi dada a Cuba? Antes explorada como cassino e/ou como bordel por ricos estadunidense ou sofrendo um bloqueio econômico desumano que sufoca a Ilha por décadas.
Como não me foi perguntado, mas respondo: Independentemente do Governo do PT ou outro, partido/grupo, com certeza estaria fazendo a mesma coisa, basta observar a ideologia dominante que prevalece no nosso Planeta (Consenso de Washington).
É inadmissível querermos selecionarmos a imagens e os fatos que queremos perceber e os que não queremos perceber. A percepção diferente do mesmo fato ocorre, uma vez que cada observador é um mundo, um sistema auto-referencial formado por experiências, vivências, conhecimentos, valores diferenciados que serão determinantes na valorização dos fatos. Nós vemos o mundo a partir de nós mesmos (Autopoiese).
Somos seres autopoiéticos e não há como fugir desse fato. Somos a medida do conhecimento que nos cerca. Somos a dimensão do nosso mundo.
Também vamos deixar de imaginar coisas. Vamos deixar a pareidolia de lado.
Certamente, não podemos falar em uma única verdade. Não há verdades científicas absolutas, claro excluindo-se as exatas, pois é impossível separar o observador do que é observado. Daí existirão tantas verdades quantos observadores existirem. Esse universo de relatividade se contrapõe aos dogmas, aos fundamentalismos, às intolerâncias. A compreensão da autopoiésis significa a revelação da impossibilidade de verdades absolutas, sendo um apelo à tolerância, à relatividade, à compreensão e à busca do diálogo. A certeza é sempre inimiga da democracia. A relatividade é amiga do diálogo, essência da democracia.
Sim. Precisamos refletir: aonde queremos chegar.

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