Um belo discurso feito
pelo Papa Francisco diante da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, no último dia
25 de setembro, mostrou a indignação do sumo pontífice a forma como o mundo
caminha de forma desordenada na condução da econômica global.
O Papa não poupou críticas aos órgãos financeiros internacionais. Em sua fala Sua Santidade disse que:
"Os organismos financeiros internacionais devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países e não a submissão asfixiantes destes por sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência".
"Nenhum humano, indivíduo ou grupo pode se considerar onipotente e autorizado a passar por cima do direito dos outros", disse. Ele ainda condenou a “má gestão irresponsável da economia global”, que não pode ser guiada pela “ambição de riqueza e poder”.
Para o Papa a exclusão econômica e social é uma "grave ofensa" aos direitos humanos e ao ambiente.
E clamou por “conceder a todos os países, sem exceção”, uma participação e incidência real e equitativa nas decisões desses órgãos, no Conselho de Segurança da ONU e em mecanismos criados para afrontar as crises econômicas.
Francisco ainda condenou a “colonização ideológica” na qual país rico tenta impor seus “modelos de estilo de vida anômalos” a nações em desenvolvimento.
Quanto ao meio ambiente, o Papa Francisco deu destaque ao tema do aquecimento global e mudança climática, e afirmou que a “sede de poder e propriedade material sem limites” estão prejudicando o meio ambiente e os mais pobres, criticando a cultura do descarte em vigor atualmente.
Para ele, o abuso e o mau uso do meio ambiente veem sempre acompanhado de processos de exclusão social. "Os mais pobres são os que mais sofrem, são descartados pela sociedade", afirmou.
Para Francisco, a crise ecológica e a destruição da biodiversidade ameaçam “a própria existência da espécie humana”. "O meio ambiente é um bem fundamental. A humanidade não está autorizada a abusar dele e muito menos a destruí-lo".
Quanto às guerras, Francisco disse que é a negação de todos os direitos e também um imenso ataque ao ambiente. Ele disse que devemos continuar incansavelmente com a tarefa de evitar a guerra entre nações e a guerra entre pessoas. Para isso, deve haver o primado do direito e da negociação.
O pontífice voltou a apelar sobre a "dolorosa situação" do Oriente Médio, do norte da África e de outros países africanos em que os cristãos são perseguidos e têm seus locais de culto destruídos.
Em uma referência indireta ao Estado Islâmico, ele criticou a perseguição de minorias religiosas e a destruição do patrimônio cultural.
O Papa também falou sobre o recente acordo para o fim da atividade nuclear no Irã, acertado com potências mundiais neste ano. "O recente acordo sobre a questão nuclear em uma região sensível da Ásia e do Oriente Médio é uma prova das possibilidades da boa vontade política e do direito, exercitados com sinceridade, paciência e constância", afirmou sem mencionar explicitamente o Irã.
Também denunciou o narcotráfico que "silenciosamente cobra a vida de milhões de pessoas" e criticou que não é suficientemente combatido.
É de se ressaltar a importante contribuição do Papa Francisco na quebra de paradigmas impostos pela ala conservadora do Vaticano em diversos assuntos que afligem a humanidade.
O fator econômico como principal fonte de miséria da população mundial e degradação ambiental deriva da atuação sem escrúpulos das instituições financeiras internacionais que exploram os países em desenvolvimento.
A crise econômica mundial só será remediada quando países ricos agirem de forma cooperada com os países em desenvolvimento e, mais ainda, com os países pobres.
A crise econômica mundial deve ser entendida como uma crise da humanidade; crise esta causadora dos principais conflitos bélicos da atualidade, da fome e da devastação ambiental.
Outra questão importante, do discurso papal foi à necessidade de uma busca constante pelo diálogo, principalmente, entre os países que tentam o controle tecnológico de armas de destruição em massa.
Como se pode ver, o discurso do Papa Francisco coaduna perfeitamente com as alas mais progressistas e evoluídas da humanidade, onde defende expressamente que a humanidade só terá paz e prosperidade para todos, a partir do momento em que todos tiverem consciência plena que vivemos no mesmo ambiente e que as riquezas geradas devem ser distribuídas com todos.

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