segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Papa, em defesa de todos



Um belo discurso feito pelo Papa Francisco diante da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, no último dia 25 de setembro, mostrou a indignação do sumo pontífice a forma como o mundo caminha de forma desordenada na condução da econômica global.


O Papa não poupou críticas aos órgãos financeiros internacionais. Em sua fala Sua Santidade disse que:


"Os organismos financeiros internacionais devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países e não a submissão asfixiantes destes por sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência".


"Nenhum humano, indivíduo ou grupo pode se considerar onipotente e autorizado a passar por cima do direito dos outros", disse. Ele ainda condenou a “má gestão irresponsável da economia global”, que não pode ser guiada pela “ambição de riqueza e poder”.


Para o Papa a exclusão econômica e social é uma "grave ofensa" aos direitos humanos e ao ambiente.


E clamou por “conceder a todos os países, sem exceção”, uma participação e incidência real e equitativa nas decisões desses órgãos, no Conselho de Segurança da ONU e em mecanismos criados para afrontar as crises econômicas.


Francisco ainda condenou a “colonização ideológica” na qual país rico tenta impor seus “modelos de estilo de vida anômalos” a nações em desenvolvimento.


Quanto ao meio ambiente, o Papa Francisco deu destaque ao tema do aquecimento global e mudança climática, e afirmou que a “sede de poder e propriedade material sem limites” estão prejudicando o meio ambiente e os mais pobres, criticando a cultura do descarte em vigor atualmente.


Para ele, o abuso e o mau uso do meio ambiente veem sempre acompanhado de processos de exclusão social. "Os mais pobres são os que mais sofrem, são descartados pela sociedade", afirmou.


Para Francisco, a crise ecológica e a destruição da biodiversidade ameaçam “a própria existência da espécie humana”. "O meio ambiente é um bem fundamental. A humanidade não está autorizada a abusar dele e muito menos a destruí-lo".


Quanto às guerras, Francisco disse que é a negação de todos os direitos e também um imenso ataque ao ambiente. Ele disse que devemos continuar incansavelmente com a tarefa de evitar a guerra entre nações e a guerra entre pessoas. Para isso, deve haver o primado do direito e da negociação.


O pontífice voltou a apelar sobre a "dolorosa situação" do Oriente Médio, do norte da África e de outros países africanos em que os cristãos são perseguidos e têm seus locais de culto destruídos.


Em uma referência indireta ao Estado Islâmico, ele criticou a perseguição de minorias religiosas e a destruição do patrimônio cultural.


O Papa também falou sobre o recente acordo para o fim da atividade nuclear no Irã, acertado com potências mundiais neste ano. "O recente acordo sobre a questão nuclear em uma região sensível da Ásia e do Oriente Médio é uma prova das possibilidades da boa vontade política e do direito, exercitados com sinceridade, paciência e constância", afirmou sem mencionar explicitamente o Irã.


Também denunciou o narcotráfico que "silenciosamente cobra a vida de milhões de pessoas" e criticou que não é suficientemente combatido.


É de se ressaltar a importante contribuição do Papa Francisco na quebra de paradigmas impostos pela ala conservadora do Vaticano em diversos assuntos que afligem a humanidade.


O fator econômico como principal fonte de miséria da população mundial e degradação ambiental deriva da atuação sem escrúpulos das instituições financeiras internacionais que exploram os países em desenvolvimento. 

A crise econômica mundial só será remediada quando países ricos agirem de forma cooperada com os países em desenvolvimento e, mais ainda, com os países pobres.


A crise econômica mundial deve ser entendida como uma crise da humanidade; crise esta causadora dos principais conflitos bélicos da atualidade, da fome e da devastação ambiental.


Outra questão importante, do discurso papal foi à necessidade de uma busca constante pelo diálogo, principalmente, entre os países que tentam o controle tecnológico de armas de destruição em massa.


Como se pode ver, o discurso do Papa Francisco coaduna perfeitamente com as alas mais progressistas e evoluídas da humanidade, onde defende expressamente que a humanidade só terá paz e prosperidade para todos, a partir do momento em que todos tiverem consciência plena que vivemos no mesmo ambiente e que as riquezas geradas devem ser distribuídas com todos.

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