segunda-feira, 23 de março de 2015

Uma Breve História de Golpes de Estado no Brasil



Golpe de Estado


Conceito: Golpe de Estado é derrubar ilegalmente um governo constitucionalmente legítimo.
A temporada de golpes de Estado no Brasil começou com a derrubada do Império do Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, com a proclamação da República, quando os militares depuseram o Imperador Dom Pedro II.

O Golpe de 1937

O golpe de Estado de 1937 iniciou o período da história brasileira conhecido como Estado Novo.

O candidato derrotado nas eleições de 1929, Getúlio Vargas, seria o presidente durante toda a década de 1930. Isso porque o político gaúcho recebera o apoio de alguns Estados brasileiros para acabar com o modelo político oligárquico que era vigente na República desde sua proclamação, em 1889. Assim, a chamada Revolução de 1930 colocou um fim ao período da República Velha.

Em 1934, deveria haver uma nova eleição para a presidência, porém Getúlio Vargas conseguiu uma manobra política para se manter no poder até a próxima eleição, que seria em 1938. Porém, antes mesmo da eleição deste ano, Getúlio Vargas conseguiu organizar uma nova estratégia que o permitiria continuar na presidência até 1945. As eleições já estavam marcadas para janeiro de 1938, mas, ainda em 1937, ocorreu uma denúncia de que os comunistas estavam tramando para tomar o poder no país. Essa denúncia ocorreu no dia 30 de setembro daquele ano e serviu de base para que Getúlio Vargas colocasse o país em alerta. A suposta estratégia dos comunistas recebeu o nome de Plano Cohen[1], que se tornaria a peça chave para garantir a permanência de Getúlio Vargas no poder.

Naquele momento, o comunismo já havia ganhado uma repercussão negativa no país, e, por isso, a divulgação do Plano Cohen causou uma forte comoção popular, gerando instabilidade política e o receio de que os comunistas dessem um golpe para assumir o controle político do país. O Plano Cohen sensibilizou a população e também abriu espaço na política para que Getúlio Vargas pudesse declarar, no dia 10 de novembro de 1937, o início de uma ditadura supostamente capaz de caçar e repreender os envolvidos com o comunismo no país.

No entanto, sabe-se hoje que o Plano Cohen era um documento falso que foi forjado por um integralista, o capitão Olímpio Mourão Filho. A ala militar não estava satisfeita com a subversão que se esboçava no território brasileiro. Getúlio Vargas se aproveitou disso e do repúdio ao comunismo para conquistar o apoio dos militares e se manter no poder da forma que mais queria, como um ditador. Olímpio Mourão Filho, logo, participou diretamente do Golpe de 1937 dado por Getúlio Vargas e seria também o iniciador do Golpe Militar de 1964, quando sairia com suas tropas de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro para derrubar o governo de João Goulart.

O Golpe de 1937 permitiu a permanência de Getúlio Vargas na presidência da República, eliminando as eleições que já estavam marcadas para o ano seguinte. O gaúcho tornar-se-ia um ditador, estabeleceria (outorgada) uma nova Constituição para o Brasil – Constituição de 1937 – a Constituição polaca, e governaria sem limite de mandato.

O golpe de 1964

Golpe de Estado de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964, que culminaram, no dia 1º de abril de 1964, com a queda do governo do presidente democraticamente eleito João Goulart.

O Governo estadunidense tornou público, em 31 de março de 2004, documentos da política dos Estados Unidos e das operações da CIA que, ao ajudar os militares brasileiros, conduziram à deposição do presidente João Goulart, no dia 1º de abril de 1964. O governo americano e os militares brasileiros viam em João Goulart alguém perigoso porque, além de simpatizar com o regime Castrista de Cuba, mantinha uma política exterior independente de Washington, e tinha nacionalizado uma subsidiaria da ITT (empresa norte-americana). Além disso, Goulart tinha nacionalizado, no início de 1964, o petróleo, bem como a terra ociosa nas mãos de grandes latifundiários, e aprovado uma lei que limitava a quantidade de benefícios que as multinacionais poderiam retirar do país. Outro motivo foi o Brasil ser o maior exportador de suco de laranja do mundo, fato que punha em risco a indústria norte-americana deste setor, situada no estado da Flórida.

Em 1964, o comício organizado por Leonel Brizola e João Goulart, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, serviu como estopim para o golpe. Neste comício eram anunciadas as reformas que mudariam o Brasil, tais como um plebiscito pela convocação de uma nova constituinte, reforma agrária e a nacionalização de refinarias estrangeiras.

Foi neste cenário que, depois de um encontro com trabalhadores, em 1964, João Goulart (eleito à época, democraticamente, pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB) foi deposto e teve de fugir para o Rio Grande do Sul e, em seguida, para o Uruguai. Desta maneira, o Chefe Maior do Exército, o General Humberto Castelo Branco, tornou-se presidente do Brasil.

As principais cidades brasileiras foram tomadas por soldados armados, tanques, jipes, etc. Os militares incendiaram a sede da União Nacional dos Estudantes - UNE. As associações que apoiavam João Goulart foram tomadas pelos soldados, dentre elas podemos citar: sedes de partidos políticos e sindicatos de diversas categorias.

O golpe militar de 1964 foi amplamente apoiado à época e um pouco antes por jornais como O Globo, Jornal do Brasil e Diário de notícias. Um dos motivos que conduziram ao golpe foi uma campanha, organizada pelos meios de comunicação, para convencer as pessoas de que Jango levaria o Brasil a um tipo de governo semelhante ao adotado por países como China e Cuba, ou seja, comunista, algo inadmissível naquele tempo, quando se dizia: “o que era bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

O golpe militar estabeleceu no Brasil uma ditadura militar que permaneceu até 1985. Ao longo dos anos a ditadura militar foi endurecendo o governo e tornando legalizadas práticas de censura e tortura, por exemplo. Os militares combateram sem piedade qualquer ameaça oposicionista ou qualquer manifestação contra o governo militar, marcando a história do Brasil por um período negro de atos autoritários ao extremo.


[1] Plano Cohen - nome dado a um falso programa estratégico que tinha por objetivo a derrubada do presidente Getúlio Vargas, e fora atribuído ao Partido Comunista Brasileiro, em suposta atuação ligada a organizações comunistas internacionais. O documento apresentado como prova física do suposto plano comunista foi divulgado no dia 30 de setembro de 1937 pelo chefe do Estado-Maior do exército brasileiro, general Góes Monteiro, que em discurso no programa radiofônico Hora do Brasil, tratava da descoberta de um movimento semelhante à intentona comunista de 1935.
O nome do documento é uma referência ao líder comunista Béla Kun (ou ainda Béla Kohn ou Béla Cohen), político comunista húngaro de origem judia que governara a República Soviética da Hungria (regime comunista instalado neste país entre março e julho de 1919). Na verdade, o texto apresentado como prova do golpe comunista foi escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, que à época era chefe do Serviço Secreto da Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de apoio ao governo Vargas, de orientação fascista.

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