sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Violência e a moralidade cristã no Brasil



Sempre me causou certo espanto ao ver algumas pessoas postando textos e mais textos, apoiando uma ou outra causa, com estatísticas, dados e números para fundamentar seus argumentos. Talvez, na cabeça deles, o uso de dados, planilhas, números etc., tragam algum amparo científico ou matemático que, prima facie, torne seus argumentos, em tese, irrefutáveis.

Vi alguns comparando dados de aumento de riquezas individuais e crescimento de PIB’s, colocando na mesma balança pessoas e países na mesma situação, sem pararem para pensar na singularidade de cada um e sem parar para rever os números dentro de uma perspectiva geopolítica e social econômica.

Outros, tentando justificar a liberação do uso de arma de fogo no Brasil, usam de argumentos fantasiosos trazendo a baila dados de países que por terem uma política de arma não restritiva, tem números de homicídios reduzidos. Os países mais citados na tentativa de fixar a tese do desarmamento são: Estados Unidos, Israel, Suíça e Suécia. 

A falácia é a seguinte: população armada inibe o malfeitor de intentar contra a vida ou patrimônio de outrem, ou seja, o direito a posse de arma reduz a criminalidade.

A verdade é que o porte de armas tem sido visto cada vez mais como um dos fatores que contribuem para a violência urbana no mundo todo.

Dentro desse princípio do uso inadvertido ou inconsciente de estatísticas ou do uso de dados fora de contextos ou somente com a tentativa de dar cientificidade a falsos argumentos, vislumbrei a seguinte situação.

Vamos usar a Suécia como exemplo.

Segundo o site Wikipédia até 2012, em torno de 75% da população sueca é atéia ou agnóstica, apesar da religião ser absolutamente livre e o ensino de religião nas escolas ser obrigatório. Os católicos representam 1,9% e os pentecostais, cerca de 1%. Outras religiões (islamismo, judaísmo, igreja ortodoxa e outras), somadas em 11%.

Partindo dos dados do Wikipédia com relação a religiosidade da população com a incidência de violência no Brasil e na Suécia, chegamos a seguinte “conclusão”:

No Brasil, 90% da população são cristãs; com mais de 56 mil homicídios por ano; presídios lotados com rebeliões quase todos os dias. E mais, segundo a organização Anistia Internacional, a polícia brasileira é a que mais mata no mundo.

Na Suécia, 75% da população se dizem atéia ou agnóstica tem baixos índices de violência, uma ótima qualidade de vida para seus cidadãos e teve recentemente fechados quatro presídios por falta de prisioneiros.

Conclusão.

Partido de uma observação dos dados estatístico e diante dos números expostos, conclui-se que existe algo errado com a moralidade cristã no Brasil, ou seja, população eminentemente cristã com uma grave crise social e com altos índices de violência urbana é um contrassenso.

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