segunda-feira, 13 de julho de 2015

O diálogo em grupo e a coerência de pensamentos







“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”.
(Paulo Freire)

Desde a Grécia Antiga, os filósofos, sobretudo Sócrates, foram ou tiveram a expertise na arte de dialogar. Quem não conhece os escritos de Platão, que ressalta a figura do velho mestre Sócrates sobre a arte do diálogo?

Pois bem, no dia a dia é comum manifestarmos nossa opinião sobre os mais variados assuntos: política, futebol, religião etc., porém nem todas as pessoas pensam da mesma maneira, acho até positivo. Imagine se todos fossem ou pensassem da mesma forma, ainda viveríamos na obscuridade, nas trevas.

O salutar é que cada um de nós tenha opiniões diferentes e divergentes sobre as mesmas coisas e, nas discussões de que participamos, é comum cada um defender suas ideias; seu ponto de vista, ou seja, cada pessoa vê o mundo a seu modo. Por isso existem várias religiões, credos, seitas etc. Existem várias formas de como pensar sobre economia, política, direito, direitos humanos, soberania etc. Não por acaso existe também a forma de se interpretar fatos históricos e do cotidiano, e como essas interpretações recebem o peso ou a influência de religiões, das etnias, dos vencidos, dos vendedores, do momento histórico etc.

A opinião e a discussão fazem parte do processo do nosso conhecimento, do nosso aprendizado, das nossas descobertas. Discutir de forma adequada é ouvir e ser ouvido, conhecer respeitar as opiniões divergentes. 

Às vezes até acho que tem muita gente sofrendo da Síndrome de Procusto.
  
“Na mitologia grega, um gigante chamado Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua cama de ferro. Mas havia uma armadilha nesta hospitalidade: ele insistia que os visitantes coubessem, com perfeição, na cama. Quando as pessoas eram muito baixas, ele os esticava; se eram altos, cortava suas pernas”.

Por mais artificial que isto possa parecer, será que não gastamos um bocado de energia emocional tentando alterar ou "enquadrar" outras pessoas de formas diversas, embora menos drásticas?

Esperamos, com frequência, que os outros vivam segundo nossos padrões e ideais, ajustando-se aos nossos conceitos de como eles deveriam ser. Ou então, assumimos a responsabilidade de torná-los felizes, bem ajustados e emocionalmente saudáveis.

A verdade é que grande parte dos atritos que existem nos relacionamentos acontecem quando tentamos impor nossa vontade aos outros - quando tentamos administrá-los e controlá-los.

De tempos em tempos, em graus variados, assumimos responsabilidades que não nos pertencem. Tentamos dirigir a vida das outras pessoas, com a intenção de influenciar tudo, desde a dieta até a escolha de roupas, decisões financeiras e profissionais. Tomamos partidos e ficamos excessivamente envolvidos, até encontramos ou criamos problemas onde não existe para poder criticar e oferecer conselhos.

É preciso entender que ninguém muda de ideia ou atitude até que deseje fazê-lo ou esteja disposto a mudar e pronto, para tomar as atitudes necessárias para efetuar a mudança. E por este motivo que o resultado de nosso "procustianismo" é, contudo, sempre o mesmo. Estamos destinados a fracassar em nossos esforços para controlar ou modificar alguém, não importa o quanto seja nobre nossas intenções.

E o que dizer das pessoas que tentamos orientar? Por outro lado, mostramos falta de respeito por seus direitos como indivíduos, privando-as da oportunidade de aprender através de suas próprias escolhas, decisões e erros. Em resumo, nosso relacionamento com aqueles com os quais declaramos nos preocupar profundamente torna-se desarmonizo e forçado.

Enfim, não adianta querer guilhotinar as pessoas para que elas aceitem as nossas ideias ou nossas formas de ver o mundo. Não sejamos Procustos. Cada um tem seu credo, sua religião ou não às têm, cada tem sua ideologia... Temos que aceitar as pessoas da forma mais simples, com respeito.

Todos nós enxergamos o mundo de acordo com a nossa perspectiva. Por conta de fatores físicos ou mentais, o modo como você vê algo não é o mesmo que outra pessoa vê.

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