Demonstrando
uma posição mais dura em relação à religião do que a assumida nas
páginas do best-seller internacional "Uma breve história do tempo", de
1988, Hawking diz que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da
lei da gravidade.
"Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada.
A
criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não
existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós
existimos", escreve o célebre cientista em "The grand design", que será
publicado em série no jornal The Times.
"Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.
Hawking
se tornou mundialmente famoso com suas pesquisas, livros e
documentários, apesar de sofrer desde os 21 anos de idade de uma doença
motora degenerativa que o deixou dependente de uma cadeira de rodas e de
um sintetizador de voz.
Em "Uma breve
história do tempo", Hawking sugeria que a ideia de Deus ou de um ser
divino não é necessariamente incompatível com a compreensão científica
do universo.
Em seu mais recente
trabalho, no entanto, Hawking cita a descoberta, feita em 1992, de um
planeta que orbita uma estrela fora de nosso Sistema Solar, como um
marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter
surgido do caos.
"Isso torna as
coincidências de nossas condições planetárias - o único sol, a feliz
combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - bem
menos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a
Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres
humanos", afirma Hawking.
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